Sejam bem-vindos (as) !!!!!!

terça-feira, 7 de junho de 2011

Comer...brindar...rezar

Minha nonna paterna era uma mulher forte. Sob ela pairavam as decisões, mesmo que veladas. Lembro-me bem dessa mulher. Fazia quitutes deliciosos que saboreávamos nas festas em família. Como segunda neta, tinha lá meus privilégios. Mas, gaguejava. Sabe quando?? Na hora de rezar. Sim, porque, era eu quem ficava para dormir com ela. E aí, chegava a hora de...rezar. Ai de mim, se não soubesse a salve-rainha!!! Eu, claro, me esforçava. Minha nonna rezava em italiano também.
 Essas lembranças afloraram, no sábado, dia 4 de junho de 2011, durante a realização do Filó, no Hotel Villa Michelon. O lugar ? A Casa do Filó. O escritor Remy Valduga rezou. Seu Móises Michelon acompanhou. E a gente? Nós, tentamos. Com papel na mão, para acompanhar as orações em língua italiana. Muito lindo. Estávamos também rodeados de calor: o calor dos fogões a lenha, como antigamente. O calor humano. Quentão e vinho. As maçãs do rosto já enrubeciam, quando fomos convidados a brindar.
Adoooro...brindes! Ao Dia do Vinho. À estação inverno. Brindar à vida. Brindar à liberdade.
Brindar as tradições que ficaram na memória e que a família Michelon  resgatou no Filó Italiano. 
Foto: Giovani Nunes

sábado, 4 de junho de 2011

Perdas e Danos

Para a amiga Frã


Um dia, você acorda de uma dor e vê que aquele alguém em que você projetou o resto da sua vida vai ser  para sempre o seu primeiro amor, a sua primeira paixão, o seu primeiro cara. Isso vai funcionar como uma catarse. Ah, entendi...doía...agora não dói mais. Não tão simples assim. Dói, porque dói. E aí?
Já sei, ele será para sempre meu primeiro amor. A perda é como um tecido que se rasga. Mas, o pedaço está lá...mas os fiapos estão impregnando os cantos e, às vezes, caem em fotos. Tira o véu que cobre a foto... Rasga a foto. Não adianta. O que era motivo de orgulho, vira troféu de guerra.
Um dia, você acorda de um sonho e vê que precisa de coragem. Coragem para deixar partir... para deixar ir...
O mundo cobra a toda hora provas de sucesso. Ser bem sucedido no amor, então...???
Só há uma saída...entender que a vida não é feita somente de somas. Há de se subtrair.
Pelo caminho, perdemos...pessoas...amores...bens...
Vamos recolhendo incertezas, roupas gastas, sentimentos vãos...
Um dia, você vai precisar largar sua bagagem. Carregue, somente, uma pequena mala.
Dentro dela, estará sua força, sua essência. Essa, você, não perderá nunca. Vá para o seu sonho de infância, ainda dá tempo. Você sabe bem quais eram os seus códigos para a felicidade. Aquele amor que cruzou seu caminho ficará para sempre como sua primeira paixão. As outras paixões, essas teremos que encarar. 

sexta-feira, 3 de junho de 2011

Ave, poeta

Roni Dall´Igna considera-se um leitor voraz. O professor, escritor, poeta,  pesquisador, revisor de livros e biógrafo diz que, para se formar leitores, é preciso incentivar a leitura, e não fazer da biblioteca um “lugar de castigo”.
Os "dinossauros da cultura" Bacca e Roni.

Natural de Guaporé, aos treze anos, Dall´Igna veio para Bento Gonçalves para concluir seus estudos no Colégio Aparecida. Na pequena bagagem, o livreto “O Profeta e o Leão”, prêmio que recebera aos 8 anos de idade, na Escola Estadual Bandeirantes, por declamar  poesias nas sessões cívicas daquela escola. “Li o livro dezenas de vezes e isto fez a diferença. Mudou minha história e minha vida. Em casa, não tínhamos livros. Quando cheguei ao colégio marista Imaculada Conceição, em Guaporé, para fazer Admissão ao Ginásio, virei rato de biblioteca”, relembra o escritor.
Dall´Igna é professor de Língua Portuguesa e pós-graduado em Literatura Infanto-Juvenil.  Foi no tempo do Clássico, na Escola Estadual Mestre Santa Bárbara (onde, mais tarde, lecionou por 20 anos), que a poesia chegou em sua vida. “Naquela época, lia uns três livros por semana. Nosso grupo lia e discutia as obras para mostrar, uns aos outros, que a leitura não era apenas “papo furado”. Quando cheguei na faculdade de Letras, na FERVI,  já havia lido muito e ajudava  os colegas nos trabalhos”.

Contador de histórias
Casado com Marlene dos Santos Dall´Igna e pai de Conrado, advogado, de Maurício, estudante de Arquitetura e Urbanismo  e, de Felipe, estudante de Publicidade e Propaganda,  costumava contar histórias (tal qual sua vó fazia para ele)  para os filhos dormir. E, na maioria das vezes, inventava as histórias. Ao recontar a história na noite seguinte, os pequenos cobravam os episódios “errados”. Para não errar mais, começou a escrevê-las. Assim, editou seu primeiro livro “O contador de histórias” (contos infantis), em 1982. Depois, vieram Reserva especial I e Reserva especial II (poesias), com a temática do vinho e paródias de poemas conhecidos e o premiado Ave, Poeta, Poesia, Palavra (poesias), em 1987.
Com o colega ator e escritor Asir Beltran, lançou o primeiro volume de I Nostri Proverbi, recolhendo mais de mil provérbios na região de colonização italiana. “Respeitamos a pronúncia de cada família”, conta o escritor. Em 2000, editaram a parte dois, com mais mil provérbios. Em curto espaço de tempo, as edições se esgotaram.
Trajetória de vida
De pintor de casas, logo que chegou à cidade, a professor, a trajetória de vida do escritor, poeta, pesquisador, revisor de livros e, agora, biógrafo tem sua maior parte registrada pela dedicação ao magistério: 32 anos em sala de aula.  Conhecido como o professor Roni e com muita história para contar, o que vem pela frente, inclui um Dicionário Gauchesco, em fase final; o livro Nanni Balote, com histórias hilárias e fantasiosas de personagens locais; o dicionário vêneto-português e a biografia de um dos mais importantes empresários da região.
“A produção sempre precisa de novas pinceladas. Assim, ao reler as histórias, faço pequenos reparos. Continuo escrevendo e produzindo. Só paro, no momento de fazer outras leituras. Aprecio nacionais como Érico Veríssimo, Luiz Fernando Veríssimo, Moacyr Scliar, Guimarães Rosa, Clarice Lispector e tantos outros. Leio tudo o que vem pela frente.  Gosto de ler e saborear obras e textos antigos,  e também,  da arte popular.  A leitura muda a vida das pessoas,”  finaliza.
“VIA VINO” (paródia de Via Láctea – Olavo Bilac)
Ora direis: “Beber vinhos! Certo
Perdeste o gosto!”E, eu vos direi, no entanto,
que, para bebericá-los, embora experto,
abro todas as garrafas, sequioso, cheio de espanto.

E brindamos a noite toda, enquanto
na Via Vino, o líquido brilhoso
cintila. E, ao ver o copo vazio, saudoso,
inda procuro garrafas no bar deserto.

Direis agora: “Etílico amigo!
que conversas com eles? Que sentido
tem o que dizem, quando estão contigo?”

E eu vos direi: “Bebei, para brindar amores!
pois só quem degusta (vinhos e champanhas)
tem paladar arguto, capaz de distinguir licores!”

quinta-feira, 19 de maio de 2011

Meninos do mundo

 Para o Gui e o Gio
O mundo espera pelo menino
Dando voltas e mais voltas
Projetando os sonhos
Definindo o mapa da vida
Que lugar é este?
Cheio de gente, carros e concreto
Cadê o parque pra brincar?
A árvore pra subir?
O galho pra quebrar?
O balanço pra balançar?
O menino sorri para o mundo
Pela frente um trajeto
É só girar o globo
E escolher um cantinho
Gira logo o globinho...
Você é um menino do mundo
Aproveite o caminho...

quarta-feira, 11 de maio de 2011

Livros na praça

O poeta catarinense Lindolf Bell (1932-1998), certa vez, imitando os naufrágos, engarrafou seus poemas e os jogou nas águas do Rio Itajaí-Açu. Corria o ano de 1994, quando fiquei sabendo desse episódio. Atônita...pensei...em que rio vou atirar meus poemas? O tempo passou...a idéia persiste...me aguarde...Rio das Antas... sonhos possíveis...
Mas, falando em água...São Pedro abriu as comportas bem no horário de abertura da 26ª Feira do livro de Bento Gonçalves. Um ingrediente a mais... na emoção das crianças do coral...nas palavras de Pedro Júnior, nas apresentações de danças árabes e na água da chuva desenhando letras na cancha de esportes da Praça Centenário, novo local da feira...um labirinto....com saída para a cultura, claro.
A feira está linda iluminada à noite. Vamos esperar um solzão para que a ilumine muito mais.
Passarei pela minha 26ª Feira, resgatando detalhes de todas: as barracas na Marechal Deodoro, os guarda-sóis de 1993, a feira grande de 2001, junto à Expobento, as feiras na Rua Coberta, um luxo!Agora, os livros voarão para a praça...de onde nunca deveriam ter saído

Colmar Duarte, Patrono da 26ª Feira do Livro de Bento Gonçalves, a menina Maria Eduarda Cândido do coral de Faria Lemos e esta blogueira na abertura da feira. Voe alto, leia...
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terça-feira, 3 de maio de 2011

Testemunha da emigração

Giulio Lorenzoni – testemunha da emigração

O homem e a família

Giulio Lorenzoni nasceu numa fração da cidade de Maróstica, Vilaraspa, na Itália e veio para o Brasil, com sua família, seus pais e dois irmãos. Na época da emigração, 1878, ele tinha catorze anos. O navio que os trouxe, chamado "Colombo", aportou primeiro na ilha de Santa Cruz, perto de Florianópolis, depois vieram para o Rio Grande e se estabeleceram no núcleo que é hoje a cidade de Silveira Martins. Ele casou-se muito jovem, com Josefina Righesso, também filha de emigrantes e trabalhou na construção da estrada de ferro que passava por Santa Maria.

O trabalho

 Quando lhe faltou trabalho, porque as obras da estrada pararam, mudou-se para Bento Gonçalves, então, a Vila Dona Isabel, fundada por colonos tiroleses. Aqui, seguiu todas as etapas do crescimento da cidade. Primeiro, como professor dos filhos dos imigrantes na Escola Italiana, depois como agente dos correios e, finalmente, como Oficial do Registro Civil, quando da Proclamação da República em 1889. Permanecendo no cargo até o início da década de 1930, data de sua morte.



A  imprensa


Em 1910, portanto, há mais de um século, com o Dr. Casagrande, o Dr. Batocchio e outros pioneiros fundou o primeiro jornal em português e italiano, "Il Bento Gonçalves". Eles queriam reunir esforços e trabalhar no interesse dos moradores daqui. Quando de sua viagem à Itália, em 1913, apesar de todas as promessas que lhe haviam feito, o jornal passou para outras mãos e não prosperou.

O escritor


Como testemunha da viagem e do desenvolvimento das comunidades, constituídas pelos integrantes das levas de imigração, Lorenzoni deixou suas memórias que se constituem num dos mais preciosos documentos da História de Bento Gonçalves. Citadas em todos os eventos em que se celebra e se estuda a imigração italiana no Rio Grande do Sul. A narrativa emocionante de sua viagem por mar, da Europa para o Brasil é um documento histórico que conta o que aconteceu até 1915. Lorenzoni não teve tempo de reconstruir a História mais adiante. Deixou o manuscrito em três cadernos grandes, que são as três partes em que se divide a obra. A primeira edição foi editada, em 1975, por ocasião do Centenário da Imigração Italiana. Na edição bilíngüe a sair, apresenta-se, no mesmo volume, o texto original tirado dos manuscritos e a tradução em vernáculo.
Fonte: Padre Aldo S. Lorenzoni



No próximo dia 19 de maio, será lançado o livro Giulio Lorenzoni - Memórias de um emigrante italiano, em edição bilíngue, na 26ª Feira do Livro, às 18 horas, na Praça Centenário, em Bento Gonçalves.



Rosas de maio

Alguma coisa acontece no meu coração
quando chega maio:
são as mensagens nos cartões,
são os comerciais que apresentam mães
e filhos perfeitos,
são as rosas nos jardins.
Alguma coisa acontece no meu coração,
quando chega maio:
é um olhar eternizado na foto da parede,
é um riso sublime que me persegue
pelos cantos,
é um rio sereno,
é um cheiro de bolo para sempre no ar,
é um ponto de tricô desfeito.
Alguma coisa acontece no meu coração, quando chega maio:

é uma tempestade que levou nosso barco,
é uma casa vazia,
são as rosas de maio
avisando-me que é tempo
de acomodá-las sobre a lápide de minha mãe,
é a ternura de Maria,
lembrando-me das flores,
no altar,
no segundo domingo de maio.