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terça-feira, 4 de setembro de 2012

Cenário de filme


A beleza bucólica de Santa Tereza já é cenário de filme.  Uma trilha repleta de natureza, montes e narrativas. Compartilho com você, leitor, uma história de religiosidade e fé, que transformou um vilarejo num pedacinho de céu.
A Linha Dolorata está situada entre os municípios de Monte Belo do Sul e Santa Tereza, a qual pertence. A quietude e a paisagem com os parreirais sem folhas deixam claro que a estação é inverno.  Após uma noite chuvosa, fazer uma caminhada pela localidade foi possível graças à reposição de energias, após o café e o pão caseiro com as chimias preparadas por Dona Rosalina Favero, moradora do local.
Nosso destino: a Igreja de Nossa Senhora das Dores.
É uma construção recente, tendo na fachada, uma imagem da referida santa, ladeada por muito verde e um campanário de madeira. O sino data de 1905 e seu som reverbera pelas encostas, aos domingos para comunicar às pessoas que a bodega já está aberta e que o terço não tardará – todos os domingos rezam o terço na igreja - ou quando tem missa, há mais de 100 anos.

Conforme Rosalina, também costumava-se tocar o sino para uma nota fúnebre  e todas as tardes na hora da ave-maria. Os descendentes de italianos trouxeram na bagagem a religiosidade. As rezas eram feitas  debaixo de uma árvore, utilizando-se como símbolo de fé uma relíquia da Santa Cruz . Em 1914, foi construída a primeira igreja. Quem rezou a missa inaugural foi o padre Luis Gulieci.

Foi um fim de semana dedicado a ouvir narrativas de perseverança, entre elas a trajetória do casal Oly e Rosalina Fávero, e a deliciar-se com as compotas de figo e o doce de abóbora. Conforme o casal, a partir de 1970, foi construído um salão comunitário, usado por muitos anos como igreja.
“Meu marido Oly e eu pensamos em arrecadar fundos para construir uma nova igreja,” diz Rosalina.
Eles passaram de casa em casa. Também receberam ajuda de pessoas que nasceram ali e, hoje, residem em outros lugares. “Na hora, pareceu uma coisa impossível e, nem nos atrevemos a levar a conversa adiante. Mas numa noite, creio que os anjos devam ter ouvido a conversa, e, como um aviso, sonhamos e vimos a igreja sendo construída.,” relata o casal.
 No dia seguinte, resolveram que esta ideia, não sabiam como, pois dinheiro a comunidade não tinha, seria levada adiante. Todos acreditaram que seria possível e sem medir esforços ajudaram doando valores, tijolos, janelas. “Depois dessa data, com certeza, essa comunidade não foi mais  a mesma”, acrescenta Fávero.
 Tudo estava voltado para a construção da Igreja. Os fabriqueiros do ano de 2001, data da inauguração, foram o Jaime e esposa, Francisco e esposa e o Oly e esposa.
Conforme o relato, foram realizadas festas, solicitações de doações, jogos de futebol, enfim, arrecadação de fundos para que pudessem  realizar o grande sonho.
No dia 29 de julho de 2001, foi dado início a construção da Capela Nossa Senhora das Dores, com a bênção da pedra fundamental.
O terreno onde a igreja foi construída foi adquirido do casal José e Iris Battistella.
A igreja começou a tomar forma.  A. comunidade mostrou a força da união e da fé.
 No próximo dia 23 de setembro, será realizada a festa em honra a Nossa Senhora das Dores. A expectativa é de reunir 400 pessoas.
Na tarde de domingo, várias moradoras se reuniram para rezar o terço. E, como é costume no interior, os homens passaram algumas horas no salão participando de jogos típicos. Encerrando esse encontro, um café da tarde com bolo e uma carona até Monte Belo do Sul para pegar o ônibus, mostraram que a Dolorata é assim: boa gente, paisagens, religiosidade. Não tem como não se apaixonar.



quarta-feira, 29 de agosto de 2012

Dois prazeres



O cinema nos lembra entretenimento, sedução, prazer. Esse último também pode ser aplicado ao espumante. Bebida que expressa conquista, comemoração e, por que não , felicidade. Na minha cidade, é possível vivenciar os dois prazeres. Único município a ter uma Film Comission, Bento Gonçalves, às vezes , me surpreende. Que delícia o Ciclo de Cinema, que delícias, as produções rodadas aqui e na região dos montes, dos vales, das noites estreladas. Fazer uma releitura da vida real, é o que o cinema faz, principalmente, quando, os filmes são escolhidos a dedo, para que depois possamos debater e viver cada instante rodado.
Aqui, brindam-se os filmes, antes, durante e depois, com espumantes da terra e com gostinho de quero mais. Por falar, em cinema, que tal irmos à França, para a corte de Maria Antonieta. No filme de 2006, podemos observar como a bebida que tem origem naquele país era utilizada nas coroações e nas festas...E
a rainha não se fez de rogada, bebeu , bebeu e bebeu do líquido precioso... Até nos filmes de 007, a bebida aparece. E, eu, que me criei, na terra do vinho e do espumante, só tenho a agradecer e brindar. Esperando por mais um Ciclo de Cinema, nas cantinas, nos hotéis, nas paisagens inusitadas e inesquecíveis ... Tim, tim!!

domingo, 26 de agosto de 2012

Amanhã será setembro

Conheci o poeta Luiz Coronel e me apaixonei. Obrigada, poeta, artesão das palavras...
Agosto
tem posto
no meu rosto
um tal desgosto que nem gosto de pensar.
Mas lembro
amanhã será setembro
e voltarei a cantar.
Amanhã
o escafandrista
e o mestre-cuca
há de dançar no convés.
Amanhã rosas de espumas
chegarão às praias
trazidas
pelas marés.
Amanhã o canário
que pousa na antena de televisão
há de cantar sua canção.
Amanhã
com meu peito
transbordando de doçura,
tal colmeias
irei ao teu encontro 
levando uma braçada de azaleias.
Amanhã será setembro. Luiz Coronel


quinta-feira, 23 de agosto de 2012

Plenitude

Agora é a vez de Lya Luft ( grata, escritora)
Rio ou mar?


Não tenho mais os olhos de menina
nem corpo adolescente, e a pele
translúcida há muito se manchou.
Há rugas onde havia sedas, sou uma estrutura
agrandada pelos anos e o peso dos fardos
bons ou ruins.
(Carreguei muitos com gosto e alguns com rebeldia.)

O que te posso dar é mais que tudo
o que perdi: dou-te os meus ganhos.
A maturidade que consegue rir
quando em outros tempos choraria,
busca te agradar
quando antigamente quereria
apenas ser amada.
Posso dar-te muito mais do que beleza
e juventude agora: esses dourados anos
me ensinaram a amar melhor, com mais paciência
e não menos ardor, a entender-te
se precisas, a aguardar-te quando vais,
a dar-te regaço de amante e colo de amiga,
e sobretudo força — que vem do aprendizado.
Isso posso te dar: um mar antigo e confiável
cujas marés — mesmo se fogem — retornam,
cujas correntes ocultas não levam destroços
mas o sonho interminável das sereias.

quarta-feira, 15 de agosto de 2012

Amei a história construída

A porta - Muçum- RS


Bem-vinda, Martha Medeiros
Bendita, Martha Medeiros
Com permissão




Te amei e amei minha fantasia
Amei de novo e amei a nossa estreia
Amei meu próprio amor e amei a tua audácia
Te amei muito e pouco e comovidamente
Amei a história construída, os ritos e os porquês
Te amei no invisível e no inaudível

Amei no crível e no incrível
Amei ser dona e te amei freguês
Te amei e amei a farsa arquitetada
Amei a mim, amei a ti, parti-me ao meio
Te amei no profundo, no raso e com atraso
Não era tua hora, não era minha vez.

domingo, 5 de agosto de 2012

Reunião

De mãos dadas com meu pai
Aqui estamos nós
unidos pelo sangue 
e dispersos pela vida. 
Sabemos de onde viemos, 
mas não sabemos nossa saída. 
De Antônio e Catarina 
herdamos gestos, sonhos, corpos e voz. 
Muito sabemos deles, 
e pouco sabemos de nós. 
Aqui estamos todos 
- tios , sobrinhos, primos, avós – , 
corrente entre um ontem vivo 
e um amanhã apressado, 
frente a frente 
com o futuro que nos chama, 
cara a cara 
com a chama de um passado. 
Agora atravessamos juntos 
Cachoeiro de ItapeSecchin, 
esta estrada tropical da Itália 
que desemboca em você e em mim. 
E se recompondo o que nós fomos 
este instante cintilar dentro de nós 
num sopro que a vida não apaga 
mesmo sozinhos não estaremos sós. 

( Antonio Carlos Secchin)   

quinta-feira, 2 de agosto de 2012

A mulher das pedras


Desde a infância, quando Katya Rotava fixava seu olhar nas águas do rio, ela via as pedras diferentes, com energia. A partir daí, iniciou- se uma simbiose que a artista passou a mostrar com tintas, cores, coração e alma.Seu nome completo é Katya Rondonia Sampaio da Fonseca Rotava. Natural de Araraquara, São Paulo, reside em Bento Gonçalves desde 1988. É casada com Rui Rotava e tem quatro filhos: Iandara, Carolina, Kahuê e Akauã e dois netos: Maria Clara e João Vítor.  Também é professora e, dentre tantas atividades, passa todo sua sabedoria ao ir ao encontro do rio, onde vai buscar sua matéria-prima: as pedras.”Elas são testumunhas silenciosas da História da Terra,” diz Katya.  Ela acrescenta que seu trabalho é muito intuitivo, cheio de simbologia e magia, através das máscaras e do respeito à vida. “Tenho minha linha de trabalho bem definida, direcionada,” enfatiza. Filha de José Aparecido Sampaio da Fonseca ( in memoriam) e Doroty Aparecida Sampaio da Fonseca. De família voltada à cultura e à liberdade de expressão, mesmo quando essa foi proibida no Brasil, Katya soube valorizar o dom que recebeu e aproveitou esse conhecimento

.Processo criativo 
O processo criativo começa na escolha delicada das pedras, das pequenas e grandes. Ela conta que dessa procura, há a tentativa de dar movimento, vida, sentimento e principalmente, emoção. “Com as cores fortes, brilhantes, mais do que simples expectadoras, transformo-as em um cenário vivo, repleto de interações. Nos leitos dos rios, desde o começo da Terra, as pedras testemunharam quietas, todos os movimentos sísmicos, a violência das enchentes, a calmaria das secas, o primeiro ser vivo, depois outros, finalmente o homem rústico e depois o artista. Este, dando-lhes matizes, mascarando sua superfície, transformando-as em verdadeiros filtros das impurezas do homem,” diz.Ela comenta ainda que das máscaras, os traços firmes e definidos das pedras vão em espiral para as telas, e destas para o infinito, o vago. 
Três características
 PEDRA- me encantam as formas, é uma fonte de energia, conhecimento.
CORES- representam força, vontade de seguir em frente, acreditar que tudo vai dar certo.
 OLHOS- identificando o sentimento de constante busca, procura, encontro com nossa essência, sempre representados com um retângulo branco, dois triângulos e um circulo preto.
 Transformação da natureza
 Uma das atrações da Fiema Brasil 2012 foi o Salão de Arte Ambiental. O evento proporcionou aos visitantes momentos de reflexão sobre a transformação da natureza através da arte, além de propiciar aos artistas um espaço onde puderam mostrar suas obras e fazer um contato direto com pessoas preocupadas com o ambiente. Nessa temática, Katya obteve Menção Honrosa com a obra premiada “ Instalação – registro de uma existência”, onde o público podia interagir com a obra acrescentando pedras a um círculo .