Sejam bem-vindos (as) !!!!!!

segunda-feira, 11 de novembro de 2013

Caminho de serragem


O presépio é talvez a mais antiga forma de caracterização do Natal. Sabe-se que foi São Francisco de Assis, o primeiro a usar a manjedoura com figuras esculpidas formando um presépio, tal qual o conhecemos hoje. A ideia surgiu enquanto o santo lia, numa de suas longas noites dedicadas à oração, um trecho de São Lucas que lembrava o nascimento de Cristo. Resolveu então montar um presépio em tamanho natural, em uma gruta de sua cidade. Desde então, os presépios foram se tornando cada vez mais populares e, além da figura do Menino Jesus deitado na manjedoura, Maria e José, temos pastores, os Reis Magos, a estrela e os animais.
 Sabe quais eram os diferenciais dos presépios da  nossa infância? Nós íamos buscar serragem ....isso mesmo, serragem – pó de madeira serrada - na tanoaria do nonno Taffarel, onde ele fabricava barris e, aí, tínhamos a matéria-prima para fazer os caminhos do presépio de nossas vidas.
Quem sabe possamos ver, neste Natal, mais presépios nas casas e nas vitrines. E  na Via Del Vino, as pinturas de artistas plásticos feitas em barris! Temas que nos remetem à infância: Natal, presépio e, no meu caso, neta de tanoeiros, os barris. Vai um quintanares aí?!
O tempo
 Mário Quintana
A vida é o dever que nós trouxemos para fazer em casa.
Quando se vê, já são seis horas!
Quando de vê, já é sexta-feira!
Quando se vê, já é Natal...
Quando se vê, já terminou o ano...
Quando se vê perdemos o amor da nossa vida.
Quando se vê passaram 50 anos!
Agora é tarde demais para ser reprovado...
Se me fosse dado um dia, outra oportunidade, eu nem olhava o relógio.
Seguiria sempre em frente e iria jogando pelo caminho a casca dourada e inútil das horas...
Seguraria o amor que está a minha frente e diria que eu o amo...
E tem mais: não deixe de fazer algo de que gosta devido à falta de tempo.
Não deixe de ter pessoas ao seu lado por puro medo de ser feliz.
A única falta que terá será a desse tempo que, infelizmente, nunca mais voltará.

sábado, 5 de outubro de 2013

123 anos de aventuras

" Para as colinas que fogem do poema, vejo-me chegar...assobiando ao longe ao que ainda me pertence."
Oscar Bertholdo
Os aventureiros são pessoas ousadas. Se arriscam. Eu os admiro. Da minha parte, nem roda-gigante me atrai. Ao saber da abertura de um parque de aventuras, na Linha Eulália, em Bento Gonçalves, lembrei-me
das pessoas ( me contaram, eu nunca vi) que atravessaram a pé, de bici ou de moto os arcos da Ponto do Rio das Antas. Coragem!
Mas, agora, diante dos esportes radicais, sabemos que há gente corajosa. Adooooro!
Por isso, quero mencionar aqui os aventureiros. Especialmente, aqueles que atravessaram mares. Estou falando dos pioneiros. Dos imigrantes, em sua maioria italianos, que aqui chegaram há 123 anos.
Aqui, em bento Gonçalves.
Poderíamos até dizer que , em busca de aventuras. Será??
Muitos nem conseguiram completar a travessia.
Aos que decidiram ficar, a minha homenagem. Graças a eles, e, aos que migraram, e isso acontece, todo o dia -  sabemos que os números da população de Bento, mudam a cada seis meses - somos essa cidade próspera!
Eu sei de dois aventureiros que decidiram ficar. Graças a eles , euzinha estou aqui!!
Meu avô paterno migrou da cidade de Antônio Prado, passou por Caxias e se decidiu por Bento.
Meu avô materno, tinha sonhos, desejava saber o que havia além da localidade de Pulador ( hoje União da Serra) e partiu. Detalhe: sem a bênção paterna. Uma audácia para a época. Somente acenou para a mãe, que da janela do sótão da casa o enviou com uma bênção...para Bento Gonçalves.
Ambos eram tanoeiros.Que orgulho!
Os primeiros a confeccionarem pipas e barris para as cantinas.
Tudo isso , claro, com a força das minhas avós...eheheheh
Bento - anos 1960
Qual a sua parte na história de Bento Gonçalves?
Chegou há pouco?
Sempre viveu aqui?
Fez o mesmo caminho dos primeiros que aqui chegaram?
Saiba que está vivendo uma grande aventura, então!
Parabéns, Bento Gonçalves, nos seus 123 anos!
Minha terra!
Terra de meus filhos e de quem mais vier

Você pode dizer
Que sou um sonhador
Mas não sou o único
Tenho a esperança de que um dia
Você se juntará a nós
E o mundo será como um só...

Lennon

segunda-feira, 9 de setembro de 2013

Ponto de vista

Daniel Picoloto Bernardini é deficiente visual total. Aos quatro anos, ganhou do avô o primeiro acordeão. A partir daí, aprendeu, “ de ouvido”, outros instrumentos, como violão, teclado e contrabaixo.  Está retornando aos palcos com a formação de um novo grupo musical. E tem mais, além da música, a vida de Bernardini é intensa, ao lado da mulher Cláudia Gaspari, também deficiente visual, do amigão Rama, um cão-guia de cinco anos, dos associados da Associação de Deficientes Visuais de Bento Gonçalves (ADVBG) e dos colegas da Rádioweb Ponto de Vista. Aha! Ele está cursando duas faculdades: Administração de Empresas e Análise de Sistemas.
 O músico bento-gonçalvense de 32 anos, estudou na Escola Estadual Bento Gonçalves da Silva até a quarta série. “Na época, havia a sala de recursos para pessoas com deficiência visual. Lembro da professora Clarice Roncatto Galiazzi, e também, do reforço escolar, que eu fazia, na parte da tarde, com a professora, Sandra Mara Marodin Ferreira, na Associação dos Deficientes Visuais, que, aliás, está completando 30 anos, este ano,“ diz Bernardini. Essa afirmação vem de quem realmente integra-se à entidade. Ele é vice-presidente da ADVBG (que presta serviços de habilitação e reabilitação de pessoas com deficiência visual, reforço escolar, além da inserção do deficiente no mercado de trabalho). Ele recebeu muito incentivo da mãe Elizabeth Dutra Picoloto. Os brinquedos com sons diferentes e a primeira gaitinha amarrada à cadeira são lembranças da infância. “Meu ouvido musical correspondeu,” acrescenta. Ele também é presidente do Conselho Municipal dos Direitos da Pessoa com Deficiência (COMUDEF), entre outros cargos. Nessa agenda, ele deixa um tempo para ensaiar e recriar o repertório de música nativista. Bernardini já teve um estúdio de produção musical. ”A ideia é recomeçar aqui em Bento, em uma nova parceria musical com mais quatro amigos, compondo o grupo Andanças Gaúchas,” acrescenta ainda.

Um período muito importante da vida de Bernardini foi quando passou a residir em Balneário Camboriú. “Lá, eu tocava em bares, clubes e festas. Nos anos 2000, foram montados palcos em toda a orla, com diversidade de culturas. Eu representei a cultura gaúcha,” recorda o músico. Com inúmeros prêmios obtidos em rodeios e festivais de cultura, Bernardini faz questão de citar os instrumentalistas, Renato Borghetti, Dominguinhos, Albino Manique, Edson Dutra e Luiz Carlos Borges como suas referências. Além, é claro, dos pais e avós, especialmente, o avô materno Arcelino Picoloto - colecionador e apaixonado por acordeões - desempenhando papel importante em seu desenvolvimento musical.

Ponto de Vista
Bernardini sempre trabalhou com Informática, realizando manutenção de computadores. Foi instrutor do SENAI, ministrando cursos e palestras em diversas cidades. Ele é cedido da Prefeitura para a Associação. No momento atual, vem trabalhando também na Rádio Ponto de Vista, projeto de sua autoria e vinculado à marca cultural da instituição. A emissora é utilizada como laboratório. Futuramente, uma forma de autossustentação. “Sempre gostei muito de rádio e sempre tive contato com a comunicação através do rádio-amador que me serviu como base. Esse é um projeto que tem muito a expandir. Já temos, na programação, um quadro de relatos de viagens, um programa de debates com o advogado e Procurador da Fazenda Nacional, em João Pessoa, Genésio Fernandes Vieira, com temática sobre os direitos das pessoas com deficiência, e um programa de músicas gaúchas, a partir das 17 horas, com o colaborador Saulo Scarmagnan. Através da internet, podemos alcançar um público diverso em qualquer lugar, bastando estar conectado, o que torna este tipo de emissora muito interessante,” enfatiza.
Quanto ao mercado de trabalho, ele é categórico ao afirmar que é necessário conscientizar o empresariado. Existe uma lei de cotas para as empresas admitirem pessoas com deficiência. “ Para o cego ou o “ baixa visão” em si, é mais crítico, porque entra a questão do preconceito,” diz.
Ele afirma que, “não existe desculpa, nem para o empregador, nem para o empregado, com tanta tecnologia, todos podemos desenvolver nossas atividades. Há treze anos, quando eu comecei, no escritório da Mobel, fui aprendendo aos poucos, hoje, temos um aplicativo no telefone celular com detector de cores, de dinheiro, de objetos, de código de barras. É uma ferramenta essencial. Além do programa de computador JAWS, leitor de tela.”
Uma relação de amizade e trabalho
Bernardini é o único cego, em Bento Gonçalves, usuário de cão-guia. O labrador de cor preta, que o acompanha, chama-se Rama e, de uma ninhada de dez filhotes, foi um dos três, a apresentar personalidade adequada para tornar-se cão-guia de cego: liderança e submissão. No Brasil, existem somente 80 cães.
Rama foi entregue a Bernardini, há cinco meses, numa readaptação envolvente. Geralmente, eles têm apenas um dono. No caso de Rama, Bernardini é o segundo usuário. O primeiro foi o professor Álvaro da Silva, já falecido. Uma referência na vida de Bernardini. “Concluí o ensino fundamental e Cursei o Ensino Médio, em Santa Catarina, tendo o Álvaro, também cego, como professor. Um grande amigo,” relata. Ele complementa que, Rama acompanhava o professor Álvaro da Silva e ficou muito mal com a perda do dono. Precisou se readaptar.
Voltou para a Escola de Treinamento Helen Keller, única no Brasil, localizada em Balneário Camboriú, Santa Catarina. O instrutor Fabiano Pereira lembrou-se de que Bernardini tinha as mesmas características do primeiro usuário, como, a altura e o  jeito de andar, e escolheu a nova dupla. “A relação de amor, de carinho e de amizade, criamos depois,” complementa ainda Bernardini.
Ele destaca que, apesar dos problemas de acessibilidade que temos em Bento e do relevo acidentado, está sendo muito legal essa parceria. “Rama foi treinado para não se dispersar. As pessoas, aqui, sabem e entendem. Somente quando ele estiver com o equipamento de trabalho, peço, por favor, que não passem a mão e não distraiam o cão. Ele pode se colocar em situação de risco, e deixar o usuário também em situação de perigo. O que seria ruim para ambos, já que é um cão de trabalho e faz isso com muita alegria, respondendo a comandos. Nos momentos de descanso, Rama pode brincar livremente como qualquer cão. Vivemos uma relação muito forte,” finaliza Bernardini.

terça-feira, 6 de agosto de 2013

Pagode e música gaúcha

Do tradicionalismo ao time do coração. Do pagode à música gaúcha.  Da solidariedade à admiração do público. Essa é a trajetória de Altair Fernandes - o Feijão.  Confira.
O artista Altair Fernandes considera-se uma figura folclórica na cidade de Bento Gonçalves. Ele anda sempre “ pilchado”, possui uma coleção de cerca de 13 pandeiros e orgulha-se de, como músico e DJ, proporcionar formação universitária às filhas. Outra superação, é ter vencido o alcoolismo. Assunto do passado, mas que o faz lembrar da mãe Natalina, que perdeu  quando tinha 12 anos, e também, da mãe de criação: Judevina. Para o mundo, ele é o torcedor símbolo do Sport Clube Internacional.
E – acima de tudo - tradicionalista.  “Bombacha tem que respeitar,” diz o músico de 56 anos. Há 30, sendo personagem atuante no cenário turístico do município, protagonista em shows no Hotel Dall´Onder e nos passeios de Maria-fumaça. Ele acrescenta que “ não foi à toa, que chimangos e maragatos lutaram por esse Estado. Tenho o maior orgulho de ser gaúcho.”

Pagode, samba e música gaúcha
Fernandes lançou um CD e tem participação em mais oito. Também esteve nos Festivais Regionais da Canção, realizados, nos anos 1980, no Ginásio de Esportes, recebendo premiações. Ele lamenta, que não existam mais eventos como esses. Fernandes recorda que foram reuniões em casa de amigos, como Manuel da Rosa e Marlene Correa, que o motivaram a tocar e cantar. Daí em diante, ele participou do Grupo Urbano, com apresentações no Bar Parada 17, localizado no centro da cidade. “Fui o criador do primeiro grupo de pagode de Bento, O Pagode do Feijão”, acrescenta ainda. Além disso, fez parte dos grupos Chorinho, Tarantella, Bento Gonçalves e Cambicho. No Bloco Carnavalesco “ Broko da Broka”, ele compôs um samba em homenagem a Via Del Vino.
 “ Tu conheces a história do Feijão Noel, guria? Vou te contar...”
Agregando a solidariedade à vida de músico, tradicionalista e ex-vereador, ele criou o Grupo da Terceira Idade “ Tia Luiza “. Mas, é, em uma  data especial, que ele se emociona. “Todos os Natais, no final do dia, eu visito os doentes no hospital. Distribuo balas. Vou lá de Feijão Noel e vejo a emoção das pessoas que, até então, tinham passado o Natal sozinhas,“ enfatiza.


quarta-feira, 10 de julho de 2013

A vovó tá na academia

A vida vem na sequência. Sol, chuva. Verão, inverno. Noite, dia. Semente, flor. Alicerce, telhado.
Amar, amor. Mãe, filho. Filho, neto. É isso. Vamos direto ao assunto. Vou ser vovó. Notícia boa. Saborosa. Seja bem-vindo, bem-vinda ao século XXI! Tu és o amor de teus pais...teus tios, tua avó.

Ai, meu Deus, eu, avó??
As lembranças do Pito e da Bibi pequenos, vem à mente, entre uma infância, numa cidade, em que se deixava os filhos brincarem nas calçadas. Meu filho, aos 6 anos, ia no mercado pra mim. Na saída da escola, o esperava do outro lado da Osvaldo Aranha. As cercas começaram a aparecer nas casas da vizinhança, brincar, na casa da vó, era bom...
Eu, vovó?? Adooooro. Tenho mil poesias pra te dar!! Mil beijos, mil abraços!! Algumas histórias, quer ouvir?

Aha...te contarei desde os clássicos, até minhas crônicas afetivas. Tu já fazes parte delas!
Somente, dá um tempo para a vovó. Uns minutos, para atualizar o Face, o Blog, conferir os emails, dar um alozinho no chat, passar as fotos... aha, vovó volta logo. Ela  foi até a academia.

Tem também um café com as amigas, com os amigos ( se a mamãe deixar, tu vens junto, claro) Aha...por enquanto, na balada, com a vovó, ainda não, tá???!!!
Mas, comigo estarás, quando viajarmos pelo azul da alma, o colorido das flores, o verde das plantas, uma pracinha com rosas, uma bicicleta com rodinhas...

Quando o sol se pôr no horizonte... dormirás com teu anjo da guarda e com o carinho dos teus papais.
Nós te amamos!!
Primeiro uniforme do papai


quarta-feira, 3 de julho de 2013

De gaita e cuia


O acordeonista bento-gonçalvense, Ezequiel Wagner De Toni já representou a cultura gaúcha em países como a França, Espanha, Uruguai, Chile, Peru, entre outros. Em agosto deste ano, ele embarca para a China, de “gaita e cuia “.
O celular do músico tocou à hora da entrevista. O toque musical? A canção Porto Alegre, de Oscar dos Reis. A partir daí, já temos uma noção da paixão de Ezequiel Wagner De Toni pela música tradicionalista gaúcha. Com esforço, dedicação e muito ensaio, o professor de acordeão prepara-se para representar o Brasil na China, junto ao CTG Aldeia dos Anjos, de Gravataí, no período de 28 de agosto a 5 de setembro de 2013. Chega a se entristecer um pouco, pois deixará aqui os seus alunos e a família: os pais, Sérgio e Marilene e a mulher Ana Carolina. Porém, logo retoma o foco e se refaz, lembrando que tem que estudar muito para “ não fazer feio” diante dos representantes da Europa e demais países no festival de música. “ O povo de lá, vai aos festivais para ver o que tem de melhor na cultura, o nível é competitivo, “ diz De Toni, referindo-se aos acordeonistas da Europa, onde o instrumento é bastante difundido. Ele acrescenta que, naquele continente, as crianças, começam a estudar música e partituras aos quatro anos de idade. “Se você achar  que é um bom músico, você pode se enganar, porque, eles buscam a perfeição,”, salienta ele.
Nos arredores de Paris
Em 2011, De Toni apresentou-se na cidade de Gannat, próximo à capital francesa. Foi sua primeira viagem internacional. “Eu voltaria a Paris,” enfatiza. Na ocasião, ele acompanhava a Invernada Adulta “Rancho da Saudade“, de Cachoeirinha. Por meio de um convite para participar do Festival “Les Cultures Du Monde”, ele hospedou-se em casas de família, numa espécie de intercâmbio cultural. “O público apaixona-se não só pela música, mas pela indumentária do gaúcho. Querem fazer fotos com a gente. Nos perguntam sobre samba, frevo, chorinho, bossa-nova e, é claro, encantam-se pela música gaúcha. “
Rumo a China

Tocando desde os 14 anos em bailes, hoje, aos 26, De Toni dedica-se às aulas, aos alunos e às invernadas que representa.  Sempre almejou representar a cultura brasileira. O sonho realizou-se. Ele salienta que -“Tu vais até onde tu te permites ir” - E, desta vez, é para a China.